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  • Entenda o que é o FAP – Fator Acidentário de Prevenção

    Entenda o que é o FAP – Fator Acidentário de Prevenção

    Uma das fontes de custeio da previdência social são as contribuições sociais pagas pelas empresas, que podem incidir, entre outros, sobre a folha de pagamento; a receita ou o faturamento; e o lucro. São os chamados encargos sociais que são pagos à União.

     

    O mapeamento dos riscos de uma atividade empresarial é chamado de RAT – Risco Ambiental do Trabalho. O percentual deste risco é fixado de acordo com o grau de risco da atividade, que poderá ser de 1% (risco baixo); 2% (risco médio); ou 3% (risco alto), que incidem sobre a folha de pagamento da empresa.

     

    O grau de risco de uma empresa é determinado pelo CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas. É através desta classificação que será fixado o grau de risco de uma empresa de acordo com sua atividade.

     

    O RAT é semelhante a um seguro obrigatório destinado a cobertura de eventos resultantes de acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais.

     

    Qualquer atividade pode expor os trabalhadores a um determinado grau de risco. Por isso, todas as empresas são obrigadas a aplicar um multiplicador sobre a contribuição do RAT, que varia de acordo com os potenciais riscos de acidentes de trabalho.

     

    Esse multiplicador é chamado de FAP – Fator Acidentário de Prevenção, que poderá reduzir ou aumentar a contribuição do RAT.

     

    Todos os anos é publicado uma norma pelos Ministérios Social e da Fazenda que estabelece os índices utilizados para o cálculo do FAP para o ano subsequente. Esse índice multiplicador pode variar entre 0,5 e 2, que incidirá sobre o RAT.

     

    O FAP varia anualmente e é calculado sobre o histórico de acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais de uma empresa, em relação aos últimos dois anos, que são registrados junto a previdência social. No cálculo do FAP são considerados os índices de gravidade, frequência e custo desses eventos.

     

    Reflexo do FAP nas obrigações sociais da empresa

     

    O objetivo do FAP é criar incentivos para melhorar as condições segurança e saúde do trabalhador, estimulando as empresas a implementar programas de prevenção de riscos de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais.

     

    Além de contribuir com um melhor ambiente de trabalho, proteger o trabalhador pode trazer maiores lucros para a empresa!

     

    Exemplificando:

     

    Suponhamos duas empresas que possuem a mesma atividade e estão classificadas em um grau de risco médio (RAT 2%).

     

    A primeira empresa cumpre rigorosamente todas as obrigações para prevenção de acidentes do trabalho e por isso apresenta índices muito baixos de trabalhadores acidentados. Neste caso o FAP desta empresa foi fixado em 0,5. Se multiplicarmos o RAT x FAP (2% x 0,5), a contribuição desta empresa será reduzida para 1% (RAT reajustado para menos).

     

    Sempre que o FAP for menor do que 1 o RAT será reajustado para menos.

     

    Já na segunda empresa as obrigações para prevenção de acidentes do trabalho não são cumpridas, o que aumenta o índice de trabalhadores acidentados. Nesta hipótese, teve seu FAP fixado em 2,0. Ao multiplicarmos o RAT x FAP (2% x 2), a contribuição será de 4% (RAT reajustado para mais).

     

    Caso uma empresa discordar do FAP que lhe foi atribuído pelo Governo, poderá apresentar uma contestação questionando o índice aplicado.

     

    Aplicação do FAP na responsabilidade civil por acidente do trabalho

     

    O próprio trabalhador poderá consultar qual o FAP aplicado para a empresa onde trabalha consultando o portal do Governo Federal (GOV.BR).

     

    Quando a empresa tiver um FAP superior a 1, que acarretará o aumento da suas contribuições, também poderá ter esse índice utilizado contra seus interesses em casos de processos judiciais envolvendo sua responsabilidade civil.

     

    Uma empresa com grande índice de acidentes do trabalho faz presumir que sua atividade é de risco, ou seja, irá possibilitar ao juiz aplicar a tese da responsabilidade objetiva, quando não é necessário provar a culpa da empresa, mas tão somente o acidente e o nexo com o trabalho.

     

    Além disso, um alto índice de acidentes do trabalho demonstra que a empresa não cumpre os programas de prevenção de acidentes, podendo fazer o valor da indenização ser majorado pelo juiz para atender seu caráter educativo e estimulando que essas políticas preventivas passem a ser adotadas.

     

    Por último, já existe entendimento sumulado no Tribunal Superior do Trabalho de que a Justiça do Trabalho é competente para cobrar as contribuições sociais desta natureza, onerando ainda mais os custos finais do processo trabalhista para a empresa.

  • A importância do contador no planejamento empresarial

    A importância do contador no planejamento empresarial

    A contabilidade, frequentemente vista como uma mera ferramenta burocrática, é na verdade uma ciência poderosa que pode impulsionar negócios, prever problemas e planejar o futuro. O contador, como cientista da riqueza e da prosperidade, tem um papel crucial na gestão financeira de qualquer empresa. Te convido a rever alguns conceitos e detalhes que te apresentarão um novo universo do qual a contabilidade está totalmente inserida, mas a maioria dos empreendedores não tinham conhecimento dessa ferramenta imprescindível para o planejamento financeiro.

    Informações Valiosas para Decisões

    A contabilidade fornece informações valiosas que ajudam os empresários a entender os impactos de cada ação ou decisão. Com relatórios, análises de balanços e demonstrativos de resultados, os empresários podem tomar decisões assertivas, evitando “administrar no escuro”.

    Redução de Riscos

    O contador tem o domínio sobre os fatores críticos que oferecem riscos à estabilidade organizacional. Isso amplia as possibilidades de tornar um negócio bem-sucedido e reduz as chances de falhas financeiras.

    Análise Financeira Detalhada

    Empresários frequentemente têm perguntas como: “Qual o capital de giro necessário?”, “Até quanto posso me endividar?”, “Qual taxa de juros devo pagar?”. Um contador, com sua expertise, pode responder a essas questões e ajudar a traçar estratégias financeiras eficazes, e para isso as matérias primas são as demonstrações financeiras da empresa, notadamente o balanço patrimonial e demonstração de resultado de alguns períodos. O que vou lhes apresentar ao longo desse artigo de forma um pouco mais detalhada por meio dos seus componentes.

    A parceria contador x empresário

    Com todo esse verdadeiro arsenal à sua disposição, o contador não é apenas um prestador de serviços, responsável por “desenrolar” seu alvará, retirar uma licença, mas sim, um parceiro estratégico para o crescimento do negócio. Ele pode trabalhar em conjunto com administradores, gestores e líderes empresariais para garantir a eficácia máxima na gestão da empresa.

     

    Elementos que compõem as demonstrações Contábeis

    O Balanço Patrimonial

    Imagine um momento feliz, em que você deseja capturar um instante marcante para recordar no futuro. O que você faria? Provavelmente, tiraria uma foto. Um balanço patrimonial da sua empresa, funciona de maneira semelhante. Ele é como uma “foto” que registra a situação financeira da entidade em um determinado momento. E nesse balanço, como uma balança, tem de um lato o Ativo e do outro lado o Passivo.

    O Ativo

    Representa tudo de bom que uma empresa possui, como dinheiro, clientes, estoques, imobilizados, marcas e patentes.

    O Passivo

    Mostra tudo o que a empresa deve, seja para alguém (fornecedores), a si própria (capital social) ou para os sócios (empréstimos dos sócios).

    Riqueza própria da empresa

    Além do ativo e passivo, as demonstrações contábeis também incluem o Patrimônio Líquido, que representa a verdadeira riqueza da empresa. É lá que ficam acumulados os lucros, prejuízos, reservas de lucros, bem como o capital social original que foi depositado quando a empresa iniciou as atividades, ou foi ampliado ao longo do tempo. O Patrimônio líquido é o item que equilibra esse balanço (ou essa balança entre ativo e passivo). Quando o ativo está maior, que o passivo, o patrimônio líquido é positivo, mas se o passivo estiver maior, esse patrimônio líquido seria negativo (e muito ruim por sinal, indicando que a empresa estaria tecnicamente quebrada, sem nenhuma riqueza gerada).

    DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)

    Além das informações do balanço, as demonstrações financeiras da empresa possuem ainda outro componente importantíssimo a DRE. Ela é o elemento que mostra a margem de lucro bruta, indicando a diferença entre o valor de venda de um produto ou serviço e os custos associados, além da margem de lucro líquida (o que sobra efetivamente na venda ou serviço prestado, após o empreendedor ter pago custos, despesas, encargos financeiros e impostos, ou seja, o que realmente sobra como resultado final da atividade empresarial.

    Nesse item facilmente pode ser identificado se a precificação dos produtos está correta, se a empresa está trabalhando abaixo do mínimo necessário para dar lucro ou se algum item está comprometendo o resultado financeiro, como juros, impostos, despesas excessivas ou ainda margens negativas ou insuficientes para cobrir todos os gastos da entidade.

    Usuários das Demonstrações Contábeis

    As demonstrações contábeis não são destinadas apenas aos proprietários ou gestores de uma empresa. Elas também são úteis para investidores, credores, governo e outros stakeholders que têm interesse na saúde financeira da empresa, e que buscam confiança e segurança nos negócios com essa empresa.

    Desse modo, meu caro leitor, o contador, ao aplicar a ciência contábil em toda sua extensão, pode ser o guia que todo empresário precisa para navegar pelo complexo mundo financeiro. Se você é um empresário, é essencial reconhecer o valor da contabilidade e estabelecer uma relação de confiança com seu contador, fazer do contador seu conselheiro estratégico e buscar conhecer os números da sua empesa e o reflexo que suas ações gerenciais tem sobre o resultado, sustentabilidade e perenidade da sua empresa, e tudo isso você “enxerga” na contabilidade.

     

    Ronaldo Dias Oliveira é Contador, Consultor Tributário, e escritor do Livro O Poder Oculto da Contabilidade e Empreendedorismo o Poder da Ação.